Autoderterminação e destino: aproximações entre Édipo Rei, de Sófocles, e O Natimorto: um musical silencioso, de Lourenço Mutarelli

  • Manuela Souza Universidade Federal de Santa Maria
  • Vera Lucia Lenz Vianna Universidade Federal de Santa Maria

Resumo

O conjunto de acontecimentos que definem a trajetória de vida do homem tradicionalmente concebe-se como predeterminações do destino, de ordem da vontade divina, frente aos quais podem ser assumidas duas posições essenciais: a completa aceitação do porvir ou a tentativa de superação do fato dado, fazendo com que o indivíduo confronte a si mesmo. Um dos recursos ao qual o homem recorreu em busca de lidar com essa dualidade é a consulta a oráculos. No livro O Natimorto: Um musical Silencioso, Lourenço Mutarelli recupera esse paradigma existencial, já presente no mito de Édipo, imortalizado por Sófocles na tragédia Édipo Rei, atualizando-o para o contexto da alta modernidade. O personagem principal busca a autodeterminação ao mesmo tempo em que lê a sorte em maços de cigarros e intenta o isolamento do mundo, enclausurando-se em um quarto de hotel. Assim, este trabalho propõe uma leitura da obra em questão, em cotejo com trechos de Édipo Rei, traçando paralelos que permitam explorar as implicações para o eu que o confronto com o destino acarreta.

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Publicado
2020-04-22
Como Citar
SOUZA, Manuela; VIANNA, Vera Lucia Lenz. Autoderterminação e destino: aproximações entre Édipo Rei, de Sófocles, e O Natimorto: um musical silencioso, de Lourenço Mutarelli. LETRAS EM REVISTA, [S.l.], v. 10, n. 2, abr. 2020. ISSN 2318-1788. Disponível em: <https://ojs.uespi.br/index.php/ler/article/view/272>. Acesso em: 25 maio 2020.