A dialética da linguagem gerencialista

Resumo

O objetivo deste artigo é apresentar e analisar, sob a luz da filosofia da linguagem, a problemática da linguagem gerencial, com traços neoliberais, nos discursos contemporâneos por meio de trechos de interpretação da literatura de autoajuda, empregando como corpus a obra Pai Rico, Pai Pobre, de Robert Toru Kiyosaki (2011). A análise busca reconhecer termos ressignificados e, ainda, interiorizados sob práticas ideológicas que pregam liberdade, porém que oprimem as classes trabalhadoras. A exploração tida dentro da linguagem gerencial é sutil a tal ponto que passa a ser internalizada em discursos cotidianos sem que os sujeitos se deem conta. Assim, o presente artigo tem o intuito de reconhecer práticas de dominação e exploração dentro desta linguagem e a forma em que esta permeia e transpassa os sujeitos do mundo. Como suporte teórico, utilizam-se os estudos dos seguintes críticos: Volóshinov (2018), Heidegger (1979, 2015), Gaulejack (2007), Zizek (1996, 2017), Dowbor (2017), dentre outros.

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Publicado
2022-06-30
Como Citar
TIBOLA, Gabriela Piovesan Leitão; PEREIRA, Patrick Araujo; BOTOSO, Altamir. A dialética da linguagem gerencialista. LETRAS EM REVISTA, [S.l.], v. 13, n. 01, jun. 2022. ISSN 2318-1788. Disponível em: <https://ojs.uespi.br/index.php/ler/article/view/464>. Acesso em: 30 maio 2024.